quinta-feira, março 31, 2011

bye bye belém

Hoje, por um instante pensei que seria difícil para mim deixar Belém. Pensei que o convívio com pessoas queridas seria o suficiente para me fazer sentir vontade de ficar mais um pouco, pois sempre me parece que quando estamos nos preparando para grandes partidas coisas muito boas começam a acontecer para testar nossa vontade real de mudança. Foi o que pensei hoje.

Mas logo me lembrei de porque não quero mais ficar aqui.
Não quero mais ficar na cidade da qual nunca gostei, que posso até ter aprendido a apreciar fatos, lugares, costumes, mas que o todo ainda me deixa desconfortável e insegura. Das pessoas queridas que conheci, e reencontrei, destas sim sentirei falta, e digo isso com a garganta engasgada pois é sempre dolorido separar-se de amigos, principalmente quando a probabilidade do reencontro nos parece longínqua.


Nesses caminhos compridos que percorro o que mais me comove sempre são os amigos. A paixão pela profissão guia minhas escolhas mais objetivas, mas as amizades são as que pesam no coração, pois família é algo para sempre, mas as amizades são conquistas que devemos cuidar bem para manter.

Volto em algumas semanas para uma cidade onde nunca morei, mas que de tanto ouvir dizer, até acredito que é de lá que venho.


Belo Horizonte, logo ali, em um cantinho tão aconchegante desse Brasil improvável de grande. Saio do clima tropical, onde apesar do calor a das chuvas constantes nunca fico doente e troco o camarão salgado pelo torresmo, o jambu pela couve, o tucunaré pelo lombinho de porco, o vatapá pelo angú. Preparo-me para a volta das duas grandes gripes anuais, uma no começo e outra no final do inverso que me deixa tão mal humorada, mas que parece aquecer em meio às paisagens dos pés de serra.

Desde o começo estive aqui de passagem e agora estou me despedindo. E o faço com o peito aquecido pela oportunidade e acolhida de tantos amigos queridos que sempre levarei com o maior carinhos em lembranças preciosas.

domingo, novembro 07, 2010

Mais um campo

E vamo que vamo!
Até agora nada de cupins ou carrapatos mas as quase duas semanas de campo em Ourilândia do Norte já me renderam três dias de um piriri ainda não resolvido, uma boa cota de aborrecimento, e o reencontro com um amigo de mais de 20 anos!
Eu e Edu nos conhecemos desde os três anos quando nossas famílias se mudaram para Monte Dourado no norte do Pará. De lá pra cá é tudo história, e depois de cinco anos desde nosso último encontro, nada melhor que um amigo das antigas pra ajudar a aguentar a "belezura" de Ourilândia.
Lembra da tal perspectiva que falei em outro post?
Pois bem, que saudades de Marabá....

quinta-feira, junho 17, 2010

Conectada

finalmente na tal internet 3G da Oi.
A velocidade é boa, mas ainda tenho medo de exceder meus gigas, kbps, ou sei lá o que, e pagar mais do que o programado.

domingo, maio 16, 2010

perspectiva

Nada como passar um mês na cidade de Marabá para voltar achando Belém uma belezura!
Conheço Belém desde que me entendo por gente e nunca gostei daqui, acho feia, suja e violenta, mas é a tal da perspectiva que fala nessas horas. Perto de “Marabala”, apelido carinhoso dado certamente não pelo gosto dos habitantes por doces de natureza adocicada ou alucinógena, Belém me pareceu nesta quarta-feira uma linda e calma cidade no caminho do aeroporto até minha casa.

sexta-feira, abril 16, 2010

as minhas próprias

Posso ser Gabriela com "a" no final, definitivamente não ter Garcia Márquez no sobrenome, e claro, não estar enamorada de nenhuma "Delgadina" aos meus noventa anos, mas já fiz, eu também, algumas das mesmas descobertas que faz o personagem principal do livro.
"Graças a ela enfrentei pela primeira vez meu ser natural enquanto transcorriam meus noventa anos. Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."
(Memória de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Márquez)