quinta-feira, junho 19, 2008

escritos

Dia de faxina no quarto, quem me conhece sabe a gravidade do assunto! Deve estar perto o dia de ir embora finalmente.
Historiadora e arqueóloga de mim mesma que sou, não resisto aos papéis velhos e poeirentos.
Esse pareceu combinar, não sei de que ano é, mas já sabia partir e deixar algumas gotas espremidos no papel para não doerem tanto no caminho.

"Sentimento incomum partir
Partes abandonadas, regeneradas
Corações mutilados, remendados
Sorrisos tortos caiados de luz"

quinta-feira, março 13, 2008

Só mais um pouco

seu desejo
meus olhos
já me apaixonei, algumas vezes à primeira, outras à segunda vista, mas em minha quimera, eram todos abelha, que ferroa e morre

quando criança tive uma pipa amarela que não sabia como fazer voar
eu corria e corria puxando o papagaio na ponta da linha
também não aprendi a pedalar sem rodinhas de apoio
preferi desenterrar tesouros
e usar minha espada de plástico contra lagartos e cobras do quintal
mas isso não diminuiu meu medo de gafanhotos

não gosto de passar despercebida
tampouco deixo de sair à rua quando estou de mal humor

minha coleção de canecas coloridas, cada vez mais...
... colorida
imagino se haverá lugar para ela quando eu morar em uma casa menor

mas agora preciso parar
tenho essa mania terrível de adiar compromissos
que enquanto não me trouxer problemas maiores
vai continuar me privando de um sono quieto

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

mancha de vinho

Parece que foi a única coisa que sobrou dos últimos dias de festa. Dias nos quais tudo parecia normal. A manhã não era radiante, os pássaros não assobiavam canções maravilhosas e nem as árvores farfalhavam com uma brisa leve e perfumada. Na verdade chegava a fazer frio perto de passagens sombreadas e algumas nuvens anunciavam uma chuva que poderia não chegar. Estávamos ali talvez por não haver opção melhor. Compromissos sim, mas também não muito importantes, nada que posteriormente nos fosse cobrado com muito afinco. Parecia justo aquele ser um momento de espera. Alguns, planos e rotas de fuga, outros, cassa-palavras em textos de hermenêutica pós-moderna. E embora o tédio não fosse o tom principal daqueles dias, ele esteve presente em muitos momentos. Nas festas havia música, desejos, invejas e ciúmes, entorpecentes de todas as qualidades. Mas nos divertíamos loucamente esperando o mal estar do dia seguinte quando a primeira providência a tomar era reconhecer o ambiente a nossa volta. E isso não me impedia de gostar de tudo aquilo. Era tudo muito fácil. E então, bastava colocar os óculos escuros e voltar para casa esperando que as coisas todas voltassem ao seu lugar. E elas costumavam voltar.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

primeiro do ano

Eu assumo, é um absurdo mesmo esse abandono. Já quase no final de fevereiro, depois de passar carnaval e tudo mais, ainda não tinha nenhum post em 2008. Quanto desleixo!
Desculpas eu tenho várias, posso colocar aqui um monte delas, e encabeçando a lista vem a maldita monografia que não fica pronta nunca! E nesse instante ela encobre as próximas 87 desculpas para qualquer coisa que eu tenha deixado de fazer desde que voltei do Pará em novembro, inclusive atualizar esse blog.

sábado, dezembro 08, 2007

Temporada de mangas, farinha e picanha

Cá estou eu em Piçarra, sudeste do Pará, há mais de 40 dias.
Ê lugarzinho ruim, e pensar que eu reclamava de Canaã...
Vim participar do resgate de 4 sítios arqueológicos em uma linha de transmissão, arqueologia de contrato, e volto pra casa semana que vem com história suficiente pra contar até o próximo campo.
Foram 40 dias de muita manga, carne de churrasco, mosquitos, calor, "fauna" tropical e impaciência em uma cidade onde não existe absolutamente nada pra fazer.
Do quarto do hotel para o campo, do campo para o quarto de hotel.
E nós lá, eu e Sirlei, duas arquólogas valentes no meio de uma infinidade de piões de obra que não paravam de ir e vir em caminhões abarrotados.
Mas enfim, fichinha pra quem até posou pra foto segurando uma jibóia enorme!
Terminamos hoje, sábado, o último sítio, debaixo de uma chuvarada, meio com pressa, meio receosos para não pisar na fazenda que proibiu nossa entrada. E por essas bandas, tem gente que é melhor não contrariar, acredite.
Terça chego em casa, e não vejo a hora de comer alguma coisa diferente de churrasco de picanha.